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Povoado na Itália sofre com mortes: "Pior que a guerra"
25/03/2020 17:53 em Novidades

Ruas vazias, algumas bandeiras penduradas nas janelas e um prefeito que tenta confortar seus concidadãos: este é Vertova, um povoado onde em poucas semanas morreu 1% de sua população devido à pandemia de coronavírus.

"Isso é pior que uma guerra" lamenta diante das portas fechadas do cemitério municipal o prefeito, Orlando Gualdi, que conta os mortos de seu povoado próximo a Bérgamo. 

Desde primeiro de março, houve cerca de 40 mortes nesta cidade de apenas 4.600 habitantes.

Nas placas de propaganda do município, os anúncios e obituários são contados por dezenas. 

Como é tradição, muitos dos obituários mostram a foto do falecido, quase todos idosos. É o caso de Carlo Crotti, de Aurelio Zaninoni, de Bruno Maffeis...

O cemitério está fechado para evitar reuniões que possam fomentar a propagação do vírus. Os familiares não podem se despedir nem chorar por seus mortos.  

Somente os donos de funerárias podem entrar para depositar os caixões que aguardam cremação. Na terça-feira, outros quatro caixões foram colocados sobre cadeiras dentro de uma capela vazia. 

"Ninguém merece uma morte tão horrível. É absurdo constatar uma pandemia em pleno 2020, é pior do que uma guerra", insiste Gualdi à AFP.

"Entre primeiro e 24 de março contabilizamos 36 mortes. Em um ano inteiro o número de mortes em Vertova oscila entre 55 e 62. Com isso explico a magnitude do que está acontecendo", acrescenta. 

Vertova está localizada a cerca de dez quilômetros ao norte de Bérgamo, no Vale do Serio, uma das regiões onde o coronavírus se propagou com bastante velocidade, sem que se conheçam as causas.

Como em todas as partes da Itália, e quase toda Europa, as ruas estão desertas e as lojas fechadas. O prefeito caminha por uma cidade fantasma com o desejo de oferecer algo de consolo aos cidadãos confinados e perguntar sobre o estado dos mais frágeis e vulneráveis. 

"Infelizmente, não temos máscaras nem desinfetantes no povoado. Tive que fabricar minha própria máscara, com um pano e minha máquina de costurar", contou Augusta Magni, uma moradora de 63 anos. 

"A situação está difícil. Cada um de nós tem familiares, amigos e conhecidos preocupados. Esperamos que a situação melhore rapidamente", comenta Claudio Bertocchi, um agente de vendas de 62 anos.  

Atrás dele, as bandeiras italianas balançam nas varandas, ao lado de lençóis e cartazes decorados pelas crianças com as cores do arco-íris.

"Andra tutto bene", "Tudo ficará bem", diz um deles, um dos slogans nacionais.

O lema de esperança viralizou e tenta ajudar a enfrentar a situação difícil do país, apesar do silêncio que reina nas ruas e becos da vila.

Fonte> msn.com.br

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