Volume
Rádio Offline
Redes
Sociais
Presidente do Senado diz que pronunciamento de Bolsonaro foi grave
24/03/2020 22:48 em Novidades

RASÍLIA - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou nesta terça-feira, 24, que o pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, foi grave e cobrou uma liderança "séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população". Ele se pronunciou em nota divulgada pela assessoria de imprensa. O pronunciamento de Bolsonaro também gerou reações de governadores e deputados da oposição, que falam em governo sem direção e pedem a saída do presidente do cargo.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, afirmou que o discurso do presidente foi "desconectado das orientações dos cientistas, da realidade do mundo e das ações do ministério da Saúde". "Confunde a sociedade, atrapalha o trabalho nos Estados e Municípios, menospreza os efeitos da pandemia. Mostra que estamos sem direção", escreveu o governador em sua conta oficial no Twitter.

 

 

“Pronunciamento de hoje mostra que há poucas esperanças de que Bolsonaro possa exercer com responsabilidade e eficiência a Presidência da República. Os danos são imprevisíveis e gravíssimos”, declarou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B).

 

 

A crítica pública veio um dia após Bolsonaro ter feito um encontro virtual com governadores do Nordeste, na tentativa de melhorar a interlocução com a região.

 

Waldez Góes, governador do Amapá, foi às redes sociais conclamar a população a não sair às ruas. A publicação ocorreu poucos minutos depois do pronunciamento do presidente. “Precisamos da força coletiva para vencer essa pandemia. Conto também com a colaboração de vocês: fiquem em casa!”, disse.

 

 

A enxurrada de críticas nas redes sociais veio principalmente de deputados da oposição, que aproveitaram a onda de comentários negativos para pedir o afastamento do presidente.

 

“Bolsonaro não vai parar por conta própria. Tem que ser afastado imediatamente da presidência. Em nome de um projeto alucinado de poder, está querendo nos levar pro precipício junto com ele. Ele é o principal agente de ampliação da contaminação. Não há outra saída”, afirmou o deputado Glauber Braga, do PSOL.

 

A deputada Dayane Pimentel, do PSL da Bahia, classificou o pronunciamento do presidente como “totalmente infeliz”. “Reabrir escolas e o comércio foram as sugestões dele, indo na contramão do próprio Ministro de Saúde e do mundo. Depois não adianta reclamar dos panelaços”, disse ela, sugerindo:. ‘#FicaEmCasa’.

 

 

Túlio Gadelha, do PDT, disse que é preciso ignorar completamente o que diz o presidente. “Que falta faz um líder em um momento de crise”, disse ele, seguido por Alessandro Molon, da Rede, para quem Bolsonaro “ultrapassou todos os limites”. “Falou em rede nacional, para 210 milhões de brasileiros, que eles não deveriam se preocupar com um vírus que mata milhares por onde passa. Disse pra voltarmos à normalidade. Não dêem ouvidos! Fiquem em casa! É o que precisamos fazer juntos!”, disse Molon.

 

Um dos poucos deputados que se manifestaram a favor do pronunciamento do presidente foi Vitor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Câmara. “Excelente pronunciamento do nosso Pres @jairbolsonaro ! A sua visão de estadista e a sua coragem em ir na contramão da histeria coletiva, construída sem critérios racionais, vão salvar as vidas de milhões de brasileiros. SALVAR VIDAS e PROTEGER EMPREGOS!”

 

Em pronunciamento em rede nacional de TV nesta terça, Bolsonaro voltou a falar em "histeria" em torno da pandemia do novo coronavírus e criticou o fechamento de escolas, entre outras medidas adotadas por governos e municípios.

 

O mandatário voltou ainda a citar a cloroquina, remédio que ainda não tem a eficácia contra a nova doença, a covid-19. De acordo com dados oficiais atualizados nesta terça pelo Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza 46 mortes e 2.201 casos confirmados, um aumento de 16,4% em um dia.

 

Durante o discurso, moradores de ao menos nove cidades do País bateram panelas contra Bolsonaro.

 

Leia a nota do presidente do Senado:

 

"Neste momento grave, o País precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população. Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao Covid-19. Posição que está na contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Reafirmamos e insistimos: não é momento de ataque à imprensa e a outros gestores públicos. É momento de união, de serenidade e equilíbrio, de ouvir os técnicos e profissionais da área para que sejam adotadas as precauções e cautelas necessárias para o controle da situação, antes que seja tarde demais.

 

A Nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade. O Congresso continuará atuante e atento para colaborar no que for necessário para a superação desta crise.

Fonte> msn.com.br

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!