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Previdência passa no 1º semestre na Câmara e no Senado, diz Bolsonaro
13/03/2019 12:38 em Novidades

Previdência terá votos 'até do PT', diz Bolsonaro © Sérgio Lima Previdência terá votos 'até do PT', diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (13.mar.2019) em café da manhã com jornalistas que a reforma da Previdência será aprovada na Câmara e no Senado ainda no 1º semestre deste ano.

“No Senado é até mais fácil. Tem muitos ex-governadores, muitas pessoas experientes e que sabem da importância. E tem muitos governadores até do PT que são a favor. Vocês verão que teremos até votos a favor do PT”, disse o presidente quando indagado se tinha certeza de que seria mesmo possível aprovar a reforma da Previdência ainda no 1º semestre.

O presidente não quis fazer previsões sobre número de votos de que dispõe no momento na Câmara, onde são necessários, ao menos, 308 deputados para aprovar a emenda constitucional que modifica as regras de aposentadoria.

“Tenho recebido parlamentares (…) Na semana passada recebi uns 25 líderes no Alvorada”, disse.

Sobre liberar emendas ao Orçamento e nomear indicados políticos para cargos federais, o presidente repetiu seu discurso sobre não ceder ao que chama de “velha política”. Indagado sobre se não há alguma forma de negociar, respondeu: “Vocês sabem como eram feitas as articulações (…) Não farei esse tipo de negociação”.

O presidente sinalizou que vai propor alguns tipos de parceria para deputados e senadores. Quando for apresentar algum projeto ou concluir alguma obra poderá dar a “paternidade” para políticos aliados.

Citou o caso do decreto que será baixado na semana que vem, que vai alterar o prazo de validade da Carteira Nacional de Habilitação para dirigir de 5 para 10 anos. “Todos vão achar bom. Dá a para o parlamentar a paternidade”, explicou.

Bolsonaro também insistiu que vai usar o discurso sobre a urgência para fazer a reforma da Previdência. “Todos sabem que o país quebra em 2 ou 3 anos. Vai para o buraco até 2022. Eu tenho conversado com parlamentares dizendo que nós estamos no mesmo barco. Digo que não é uma reforma do governo, mas para o Brasil. Digo: ‘Estamos no mesmo barco e afundamos juntos se nada for feito’ ”, explicou.

O presidente disse, na sua fala inicial, que “alguma coisa vai ser mexida” no projeto de reforma da Previdência que foi enviado ao Congresso. Disse ter consciência de que a reforma ideal é a que pode ser aprovada mas fez 1 alerta: “Se for muito desidratada o Paulo Guedes [ministro da Economia] como ocorreu na Argentina”. No caso do país vizinho, “logo depois” foi necessário fazer novas alterações para corrigir distorções.

Bolsonaro chegou à sala do café no 3º andar do Palácio do Planalto às 8h27.

Às 8h30 em ponto o general Otávio Rêgo Barros, porta-voz da Presidência, fez uma breve introdução. Bolsonaro então falou então por poucos minutos e em seguida os jornalistas puderam fazer perguntas.

A seguir, outros temas tratados no café da manhã (no qual foram servidos café, leite, água, suco de laranja, bolos sortidos, pão de queijo e biscoitos):

DESVINCULAÇÃO DE RECEITAS

O presidente disse ser favorável à proposta defendida pelo seu ministro da Fazenda, Paulo Guedes. A desvinculação das receitas do Orçamento liberaria União, Estados e cidades a deliberarem de maneira autônoma sobre quais são suas prioridades.

O general Augusto Heleno (ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência), que estava presente, também falou sobre o tema. Os jornalistas questionaram se esse tipo de projeto –que também é uma emenda constitucional– poderia atrapalhar a tramitação da reforma da Previdência, como tem sugerido o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Heleno afirmou que a desvinculação é uma medida positiva e não acredita que possa causar ruídos, “pois parece que todos estão a favor”. Sobre o temor de Rodrigo Maia, o general disse que o presidente da Câmara é 1 político “experiente” e que suas declarações devem ser interpretadas de maneira mais ampla, pois podem conter alguma “segunda intenção”.

EMBAIXADOR EM WASHINGTON

O atual embaixador do Brasil em Washington, Sergio Amaral, “vai ser trocado”. Mas a mudança não será efetuada antes nem durante a viagem do presidente aos Estados Unidos –Bolsonaro embarca no domingo (17.mar.2019) à noite e deve passar 2 dias na capital norte-americana.

Segundo o presidente, a troca é necessária porque houve alguns “ruídos” por causa da atuação do atual embaixador nos EUA. Bolsonaro se ressente de que sua imagem internacional seja ruim porque ele sempre é apresentado nos meios de comunicação internacionais como “ditador, racista e homofóbico”. Rejeita esses rótulos e afirma que se fosse “tudo isso” nem “teria sido eleito”. Deu a entender que caberia aos diplomatas brasileiros em Washington tentar debelar essa percepção.

A dispensa de Sérgio Amaral não será efetuada agora e Bolsonaro explicou a razão: “Não fica bem chegar lá com o bilhete azul”. A expressão “bilhete azul” é uma gíria para carta de demissão.

Embora nos últimos dias muitos nomes tenham sido publicados pela mídia a respeito de quem pode ser o próximo embaixador brasileiro em Washington, Bolsonaro não quis citar nenhum dos mencionados nem se algum tem vantagem na corrida por esse posto. “Tem gente que perua [risada]”, declarou. A expressão “peruar”, explicou, é usada no meio militar para descrever que fica se apresentando para ser nomeado para algum posto.

O presidente declarou também que deve trocar cerca de 15 embaixadores em postos importantes em breve. Não citou quais são, exceto a França, que está incluída nesse grupo. Hoje, o diplomata chefe do Brasil em Paris é Paulo Cesar de Oliveira Campos.

EMBAIXADA DO BRASIL EM ISRAEL

Em 2018, quando fazia campanha, o então candidato prometeu trocar a sede da embaixada do brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Durante o café da manhã, disse que esse processo está em estudo. Mas não quis oferecer uma data ou cronograma sobre quando esse projeto poderá, de fato, ser executado.

“O [Donald] Trump demorou 9 meses para cumprir o compromisso de campanha”, declarou. Foi uma referência ao presidente norte-americano, que também fez a promessa de mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém quando foi candidato à Casa Branca.

“Temos de ser cautelosos para não haver trauma”, afirmou Bolsonaro. Ele se refere ao fato de países árabes já terem sinalizado com possível retaliação a exportações brasileiras casos a embaixada vá para Jerusalém. “Vou receber o embaixador de Israel e também o dos Emirados Árabes na 6ª feira. A ministra da Agricultura está acompanhando”.

AMAZÔNIA E ÍNDIOS

O presidente voltou a criticar a extensão das reservas indígenas criadas no Brasil nas últimas décadas. Citou especificamente a dos Yanomamis, em Roraima, que tem 9.419.108 hectares. “É do tamanho do Estado do Rio de Janeiro”, disse.

Indagado se acredita ser possível, ao longo dos 4 anos de seu governo, reduzir o tamanho de terras indígenas, disse que não: “É muito difícil, mesmo com o apoio do Congresso, reduzir reservas”.

O que o presidente pretende é integrar cada vez mais os índios. “Em alguns lugares até 80% dos índios querem viver como a gente”, disse. O governo vai incentivar programas que ofereçam possibilidade de aproximação dos índios, sobretudo a serviços de educação e saúde.

Uma das possibilidades citadas por Bolsonaro é aumentar a permanência dos índios que entram para o serviço militar, e que depois voltam para as aldeias –mas poderiam continuar nas Forças Armadas. O presidente brincou: “O índio e o nosso vietcong na Amazônia”. Trata-se de uma referência aos guerrilheiros do Vietnã que foram vitais na guerra desse país contra os EUA (1955-1955), pois tinham conhecimento da selva.

Bolsonaro entende que esse movimento de aproximação com os índios sempre sofrerá resistência por parte de alguns países. Por essa razão, diz ele, é necessário ter uma boa relação com os Estados Unidos, de quem espera apoio para suas políticas na área.

Jornalistas e Autoridades presentes

Os jornalistas que participaram do café da manhã com Bolsonaro, a partir das 8h30 desta 4ª feira (13.mar.2019), foram escolhidos pelo Planalto. Este foi o 2º evento dessa natureza desde a posse do presidente –o 1º encontro havia sido em 28 de fevereiro.

Eis a lista dos 11 jornalistas ou articulistas de mídia que compareceram ao café da manhã:

  • Carlos Alberto Di Franco, O Estado de S. Paulo
  • Carlos Nascimento,  SBT
  • Fernando Mitre, Band
  • Fernando Rodrigues, Poder360
  • Leandro Colon, Folha de S.Paulo
  • Leonardo Cavalcanti, Correio Brasiliense
  • Mariana Godoy, Rede TV
  • Rudolfo Lado, Istoé
  • Ruy Fabiano
  • Thiago Contreira, TV Record
  • Paulo Eneas, site Crítica Nacional

Eis a lista de autoridades presentes:

  • Jair Bolsonaro, presidente da República
  • General Hamilton Mourão, vice-presidente da República
  • Alexandre Lara de Oliveira, secretário de imprensa da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência
  • Otávio do Rêgo Barros, porta-voz da Presidência
  • Didio Campos, chefe de gabinete do porta-voz da Presidência
  • Flávio Peregrino, assessor especial do porta-voz da Presidência
  • Floriano Peixoto, ministro da Secretaria Geral da Presidência
  • General Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional

 

Fonte> msn.com.br

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